quarta-feira, 9 de maio de 2012

Teixeirinha rumo ao Largo da Ordem

Curitiba. Se bem lembro, era sexta-feira. Uma tarde de um céu indeciso, ora disposto a ficar nublado, ora tentado a deixar-se dominar pelo sol de verão. Não fazia calor, no entanto - pelo menos não aquele calor doloroso que impede os deslocamentos e nos obriga ao ar condicionado, se é que me faço entender. Era, em suma, uma tarde boa para caminhar a esmo, despreocupado, de olhos abertos no desconhecido de uma cidade ainda pouco familiar. E assim fiz, visitante de poucos dias e sem compromissos que era, descendo de ônibus no Passeio Público e permitindo que meus pés me levassem onde lhes parecesse mais adequado.

Me levaram à Rua Quinze de Novembro, agradável calçadão que me pareceu uma das artérias principais do centro de uma Curitiba bem mais interessante e agradável do que costumavam me dizer. Fui e voltei por aqueles caminhos, satisfeito com a grande quantidade de coisas, lugares e pessoas, mais preocupado em observar e sentir do que em memorizar. Andei até o fim do caminho, chegando até uma praça chamada General Osório, mas, por algum motivo, não me animei a conhecê-la naquele dia, preferindo dar meia-volta rumo a um atalho para o Largo da Ordem, que eu já conhecia mas muito me agradaria rever. Segui firme nesse propósito até a esquina da Quinze de Novembro com a Monsenhor Celso, onde a música de um casal de artistas de rua fez com que eu interrompesse a marcha.

[caption id="attachment_233" align="alignnone" width="800" caption="Foto: Raissa Portela / Canal Fotografia"]Raissa Portela / CanalFoto[/caption]

Nathan e Natacha, chamavam-se. Tocavam uma música bastante simples, uma canção de amor não correspondido crua nos versos e na estrutura. Ambos cantavam, e ambos tinham as mãos ocupadas: Nathan com o violão coberto de pequenos adesivos, Natacha com a caixinha de doações. Os escritos em torno dela eram uma atração à parte - e por meio deles tive a confirmação de minha suspeita, nascida assim que me detive para observá-los: eram um casal de músicos cegos. "Sou 100% deficiente visual, este é o meu trabalho", "obrigado por sua ajuda", "Deus te abencoe por nos ajudar". Avisos escritos em caligrafia nada sofisticada, tinta preta sobre madeira clara, passando uma mensagem tão direta e sem enfeites quanto a música que tocavam.

O público não era numeroso, talvez uma dúzia de incautos, mas ousaria dizer que boa parte daquela plateia era consideravelmente fiel. Um deles, especialmente comunicativo, parecia assumir de modo improvisado as vezes de empresário da dupla, incentivando de forma bem-humorada a audiência a depositar valores na caixinha dos músicos. Pude ver quando esse fã empolgado dirigiu-se a um dos presentes e pediu que ele o emprestasse uma nota de cinco reais. A justificativa: "vou pedir para eles tocarem um Teixeirinha para nós". Certamente peguei a história pela metade, uma vez que a sequência de acontecimentos não faz muito sentido - mas o fato é que a nota de cinco reais surgiu, foi depositada na caixa e, com algumas breves palavras aos músicos, o cidadão pediu que tocassem um tema de Teixeirinha, seja lá qual fosse.

Me dói um pouco admitir que não faço a menor ideia de qual música Nathan e Natacha tocaram naquele momento. Nunca tive maior conhecimento do legado musical de Teixeirinha, e aquela canção eu certamente nunca tinha ouvido antes, de maneira que aquela interpretação acabou sendo uma insólita e inesperada premiê. Infelizmente, ouvi a canção de modo descuidado e não recordo absolutamente nada da letra - lembro apenas que era uma história triste de alguém que via sua antiga amada com outro homem em um baile, ou qualquer coisa parecida com isso. Era, de qualquer modo, uma canção repleta de simples e dolorida sabedoria sobre o amor e a vida - e todo o inusitado de ouvi-la em uma esquina desconhecida de Curitiba, interpretada por um casal de músicos cegos, só fez com que ela ganhasse uma dimensão curiosa e toda particular.

Fico pensando nas milhares de questões que me ocorreram naquele instante, enquanto ouvia os dois músicos cegos tocando uma música de Teixeirinha que eu talvez nunca saiba com certeza qual é. De onde vieram? Desde quando se conhecem? São casados de fato? Moram juntos? Ou são apenas parceiros musicais? Quando formaram a dupla? Quanto tempo levam se deslocando de seja lá onde moram até o coração da metrópole? Quanto conseguem ganhar tocando nas ruas? Dá para viver? Perguntas que me ocorreram na hora e que optei por silenciar. Por vários motivos, mas especialmente porque seria uma tremenda indelicadeza da minha parte interrompê-los assim, no meio de uma apresentação, para importuná-los com minhas concretas e ridículas dúvidas de jornalista. Preferi, então, ficar com as respostas que a música dos dois me trazia, apreciando aquela manifestação de pura vida no coração da grande cidade.

Não sei se um dia voltarei a vê-los. Ouvi a música até o final, juntei-me aos sinceros aplausos do pequeno público e depositei algumas moedas na caixinha antes de virar minhas costas e partir. Sumiram rápido na minha memória, os versos daquela até então desconhecida canção de Teixeirinha - mas tenho aprendido que o que a gente precisa mesmo lembrar acaba ficando, permanece gravado naquele ponto indeterminado onde as memórias do que se sentiu erguem-se acima de todo factual inútil. Vou lembrar daqueles dois cantando aquela música triste, e acho que isso vai me bastar. Uma interpretação sincera e apaixonada de uma bela música, que eu posso nem lembrar direito como era, mas que na minha alma e na minha experiência já se tornou eterna.

NOTA: a foto, como creditado acima, não me pertence. É um belo trabalho de Raissa Portela, publicado no site Canal Fotografia. Tentei contatá-la para pedir autorização de uso e não tive sucesso. Mesmo assim, optei por colocá-la, para dar uma visão mais clara de quem são Nathan e Natacha. Caso a autora da foto assim prefira, retirarei do ar sem problema algum. Agradeço, de qualquer forma, pelo empréstimo e pelo excelente registro.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Just want to feel the starlight on my face

Dez, quinze, vinte milhões de anos-luz. Explode em energia, rumo ao infinito, lançando partículas luminosas de sonho em meio à escuridão. Sonho que não sabe seu destino, que nada sabe de si mesmo, apenas avança, em busca de algum lugar. Longe.

Morreu há tempos, a estrela. De onde saiu o sonho, resta apenas a anã marrom, engolindo a si mesma, sugando para dentro de si tudo que a rodeia em um esforço destrutivo e inútil de preenchimento do vazio. Seus sonhos, porém, cruzam o espaço. A sonhadora está morta, mas os fragmentos de sua essência seguem navegando no infinito.

E chegam até mim.

"Ela está morta", me diz alguém. "Morta há milhões de anos. Como todos os sonhos".

Escuto, mas não dou ouvidos. Fecho os olhos. E tento sentir o toque da luz contra meu rosto, sonho em meio ao sonho, destino final de uma viagem que mal posso conceber.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O final

"Então é isso? Acabou?"

"Acabou", confirmou o anjo, com a paciência de quem sabe que começar ou acabar, no fundo, é uma eterna questão de ponto de vista.

domingo, 29 de abril de 2012

Pequeno discurso sobre uma esquina paulistana


Originalmente publicado em 22/nov/2009

Das incontáveis esquinas pelas quais tenho passado nas minhas andanças por São Paulo, uma delas talvez mereça um pequeno destaque. Trata-se do cruzamento da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Rua dos Ingleses - que eu imagino que seja ainda na Bela Vista, embora não seja exatamente a esquina mais bonita da cidade. Passo por ali mais ou menos seguidamente, especialmente quando vou encontrar uma amiga para conversas sobre a vida regadas a alguns copos de cerveja. Para os que conhecem as ruas de São Paulo pelas referências da Corrida de São Silvestre (tudo bem, eu também era assim), digo que a Brigadeiro não é o que parece pela TV – trata-se de uma avenida sem muito encanto, que poderia ser bela se os seus prédios mais históricos não tivessem todo o jeito de terem servido de carvão para churrasco, e que é pouso cotidiano de uma série de mendigos e desgraçados de todas as cores e idades. A Rua dos Ingleses, por sua vez, é bem mais bonitinha, com belos jardins, sacadas e prédios daqueles que precisa ser alguém rico apenas para cogitar pagar o condomínio. O trecho que se encontra com a Brigadeiro, no entanto, não é dos mais bucólicos – de modo que, se quiséssemos traçar um paralelo entre mundos diferentes que se cruzam numa esquina, teríamos que procurar outro endereço, porque no cruzamento da Brigadeiro com a Rua dos Ingleses tudo é mais ou menos a mesma coisa, para o bem e para o mal.

Mas enfim, tergiverso. O que de fato interessa na citada esquina é a barreira colocada dos dois lados da via, saindo da esquina da Brigadeiro e avançando alguns metros dentro da Rua dos Ingleses. A ideia, basicamente, é aumentar a segurança de pedestres e motoristas. O cruzamento é bastante movimentado, sendo uma das vias mais comuns de escoamento de carros para quem quer sair da Brigadeiro – e somando isso à geografia do lugar, capaz de ocultar pedestres que atravessem descuidados a rua, torna-se necessário uma grade do tipo para diminuir o risco de atropelamentos e demais acidentes. É um pequeno incômodo: ao invés de atravessar diretamente na esquina, o transeunte que vai pela Brigadeiro é forçado a subir um pouquinho a Rua dos Ingleses e atravessar uns dez metros adiante, onde fica mais fácil ver os carros que se preparam para subir a rua, oriundo dos dois sentidos da avenida.

Quer dizer, era para ser assim. Porque na verdade a preocupação do poder público com o bem estar do cidadão já foi suplantada, sendo substituída pela praticidade pouco responsável, mas eficiente no que se propõe. Algumas das armações metálicas que constituem a barreira foram torcidas, ou por meios mecânicos ou por insistência humana mesmo, e acabaram abrindo espaço para que as pessoas possam atravessar pelo meio delas, chegando ao outro lado da via sem ter que fazer o indesejado trajeto extra. Ou seja, criou-se um atalho no meio da barreira, automaticamente transformando a barreira inteira em pouco mais do que uma peça decorativa, um estranho pedaço de bizarra arte conceitual no meio da imensidão cinzenta. Perdi a conta de quantos eu vi passando pelos espaços abertos no meio daquele cercado já quase inútil – homens, mulheres, crianças, trabalhadores e vagabundos de todos os tipos, esgueirando-se entre o espaço aberto e cruzando rapidamente de um lado a outro, alheios a tudo a não ser suas próprias necessidades e urgências.

Estou a semanas perguntando a mim mesmo por que, no fim das contas, eu ignoro o espaço no meio da barreira e sempre acabo fazendo todo o trajeto, atravessando certinho no lugar indicado. Na verdade, é algo automático: eu simplesmente contorno o cercado, sem pensar no que estou fazendo, atravesso para o outro lado e só quando estou de novo na Brigadeiro é que me dou conta de que, mais uma vez, fiz o caminho mais longo. Sim, claro que é um dilema dos mais insignificantes; mas, por outro lado, me intriga essa atitude simples e mecânica, esse condicionamento a fazer algo que não é fisicamente necessário, e fico matutando sobre o que me leva a agir dessa maneira. Ainda mais reparando que praticamente ninguém age do mesmo modo, que escassos são os que se dão ao trabalho de atravessar no lugar certo, tendo a oportunidade de cruzar por entre as armações e chegar mais rápido do outro lado. Minha última lembrança nesse sentido é a de uma velhinha bem miúda, amparada por alguma parente ou acompanhante, que atravessou vagarosamente a rua e que, obviamente, não tinha condições físicas de fazer a pequena transgressão que os demais fazem de modo quase automático todos os dias. Não era o meu caso, no entanto – não vendo saúde, certo, mas tampouco teria problemas em fazer um pequeníssimo esforço de contorcionismo e atravessar pelo meio das grades. O que, então me impede? Preguiça? Medo de ir contra a lei? Cabeça dura? Conveniência?

Acho que a resposta me ocorreu agora a pouco, ao lembrar outra pessoa que vi atravessando a via no ponto correto, em direção contrária à minha. Era tarde da noite já, início de madrugada de um dia de semana, e o homem que vi era humilde, um negro de bermudas velhas e chinelos de dedo. Alguém que talvez more em algum cortiço próximo, e que havia certamente estado em algum boteco tomando cachaça antes de retornar para o relativo aconchego do lar. Vinha em passos lentos, mas não exatamente trôpegos, e tinha um pequeno sorriso no rosto, como quem está perdido em recordações leves e agradáveis. Duvido que tenha reparado em mim; passou reto, sem hostilidade mas sem interesse, andando devagar de volta para onde quer que fosse o lugar que chamava de lar. Eu, da minha parte, reparei nele, e especialmente no fato de que atravessou a esquina da Brigadeiro com a Rua dos Ingleses de modo seguro e exemplar, como certamente teria sido recomendado por qualquer manual da Prefeitura. Tranquilo, sorridente, relaxado pelo álcool talvez, mas certamente sem pressa. Sem pressa nenhuma.

Acho que é isso, sabe? Isso é que me une a ele, isso que me une à velhinha e as outras poucas pessoas que vi atravessando aquela rua bem certinho, na faixa, sem passar por cima de barreira nenhuma: não temos, nenhum de nós, pressa nenhuma de chegar do outro lado. Quem corre são eles, os que têm trabalho, os que têm família, compromissos, obrigações, os que têm tudo, menos tempo a perder. Eu não sou um deles – e acho que mesmo que estivesse empregado, bem feliz da vida, ou mesmo num futuro com esposa, filhos e prestações me esperando, eu continuaria não sendo um deles. Porque eu estou aprendendo, e isso é uma das grandes lições desse 2009 maluco que estou tendo, que ter pressa não adianta nada; o negócio não é a rapidez, e sim a insistência. A vida não é uma corrida, não é uma competição de quem chega primeiro, e cada vez mais me parece que ninguém vence ou perde no final. Atravesso a esquina da Brigadeiro com a Rua dos Ingleses no lugar indicado porque não tenho motivos para fazer diferente, e nenhuma vontade de me apressar. Se a gente corre demais, não aprecia a paisagem – e é isso que o negro de bermudas e cachaça na cabeça estava fazendo: ele estava, simplesmente, apreciando a paisagem. Sem pressa de chegar. Gosto de pensar que, no fundo, estou fazendo o mesmo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Pegar o dia em que nada deu certo e tentar tirar dele algum resquício que seja do extraordinário. Juntar toda a raiva e tristeza e pressão e loucura e desânimo e auto-destruição... E espremer. Apertar entre os dedos, torcer e torcer e torcer em busca do extrato mágico, do toque de cor e energia que dá o mínimo de sentido ao esmagador absurdo. Até que surja um caldo de sonho, uma gota pequena que seja, um minúsculo resquício do rio que foi correr em algum lugar que ninguém mais sabe onde fica.

Surge a gota.

E a gota cai, faz um movimento de retilínea elegância rumo ao chão, e logo vai sumindo na terra, desaparecendo, voltando a ser apenas uma lembrança e uma suspeita.

Por um instante, o choque.

Então, o sorriso.

Não tem problema, pensa. E de um golpe se atira ao chão, beijando o solo, tentando sugar a gota de volta para si. Não tem problema, pensa de novo. Não tem problema.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pequena nota sobre o abandono

Me perguntam sobre abandono. Quer saber o que é abandono, meu caro? Abandono é o morador de rua que vi um dia desses, cara fechada, roupas cinza-escuro de pura sujeira, carregando um aparelho de som todo detonado enquanto atravessava a Avenida Ipiranga. O homem cruzou a rua com o sinal verde para veículos, bem devagar, sem olhar para os lados, sem a menor preocupação se vinha carro ou moto ou caminhão ou o que quer que fosse. Vários veículos passaram a mil, tirando fininho dele, flertando com o atropelamento. Gritando, xingando, buzinando - e ele nem aí. Chegou do outro lado meio que por milagre, parou na ponte por cima do arroio, fez um golpe de braço e jogou o aparelho de som lá embaixo, no meio da água suja, soltando um suspiro alto de quem se livra de algo que odeia. E o aparelho se estatelou lá em baixo com um estrondo e o cara seguiu andando devagar, indignado com algo que eu nunca vou saber o que é. Abandono, tu me perguntas? Abandono é esse cara, te respondo. Abandono de toda lógica, todo sorriso, todo motivo, todo sentido e toda explicação. Abandono da vida. Alguém que anda e respira porque nem sabe mais por quê. Porque odeia, talvez. Que cruza a minha vida por uns poucos segundos e logo some, desaparece na cidade cinza, vai odiar a vida em algum lugar bem longe de mim.

domingo, 22 de abril de 2012

A escadaria e o horizonte


Por aquela rua jamais havia andado. Era um caminho de calçadas mal cuidadas, de casas humildes, de árvores cansadas e paralelepípedos. Ainda não era noite, embora o sol há muito tivesse sumido, deixando apenas uma lembrança de si para trás, como um amigo tentanto iluminar o trajeto da noite que chegava para ocupar seu lugar.

Poucos estavam naquela rua àquela hora do sábado. Nenhum reparou nele. Desceu o caminho a passos lentos, cuidando onde pisava, temendo talvez tropeçar em algum buraco ou pedra solta. Em alguns momentos, abandonou a calçada e foi pelo meio-fio; nenhum automóvel passou para importuná-lo. Foi descendo, rumo ao que acreditava ser a esquina de uma avenida conhecida, até ver em um relance a pequena escadaria que levava a uma elevação de terreno. Parado em frente aos degraus, ouviu som de gritos e risadas. Uma praça, pensou, algo admirado de que uma rua tão pouco encantadora pudesse ter uma praça.

Subiu.

Ao topo da escadaria, encontrou o horizonte.

Havia uma lua. Uma imensa lua cheia, grande como não lembrava de ter visto, brilhando amarela contra o violeta do céu indeciso entre a noite e o dia. Uma lua que há séculos não via, em um horizonte do qual tinha até esquecido, e que ali estava paciente esperando por ele. Há quanto tempo? Nunca soube, e mesmo assim já havia esquecido. Sentiu-se arrebatado pelo reencontro, percebeu a satisfação da imensa lua em revê-lo e permaneceu de pé, no topo da pequena escadaria, sua vida pregressa e futura encontrando resumo naquela súbita e inesperada epifania.

Ficou olhando a lua por um longo tempo. E lá permaneceu, décadas depois de ter ido embora, lembrança que encontra no crepúsculo a trilha para a existência eterna.